Desenvolvimento
Atraso na fala: quando procurar o neuropediatra
Atraso na fala: o que é esperado em cada idade, os sinais de alerta, por que checar a audição primeiro e quando procurar o neuropediatra em Brasília.
“Cada criança tem o seu tempo.” “O pai também falou tarde.” “Menino demora mais.” Quem tem um filho que fala pouco escuta essas frases com frequência, e elas têm um fundo de verdade: o ritmo da fala varia bastante de uma criança para outra. O problema é que esperar sem critério pode fazer a família perder um tempo valioso, justamente na fase em que a criança mais aprende linguagem.
Saber o que é esperado em cada idade e quais sinais pedem avaliação ajuda a decidir com mais segurança, sem pânico e sem descaso.
Fala e linguagem não são a mesma coisa
Linguagem é a capacidade de entender e de se expressar, seja com palavras, gestos, olhar ou apontando. Fala é a produção dos sons das palavras. Uma criança de 2 anos que entende tudo, aponta, puxa o adulto para mostrar as coisas e usa poucas palavras está em uma situação bem diferente da de outra que não entende ordens simples e não tenta se comunicar de nenhum jeito.
Por isso, na avaliação, o médico olha as duas coisas: o que a criança compreende e como ela se expressa.
O que costuma acontecer em cada idade
As idades abaixo são referências, não provas. Há variação normal, e o que mais importa é ver a criança avançando.
- Entre 6 e 10 meses: começa o balbucio com sílabas repetidas, como “ba-ba” e “da-da”, e o bebê vira a cabeça quando escuta a voz dos pais.
- Por volta de 1 ano: atende pelo nome, aponta, dá tchau e pode dizer as primeiras palavras com sentido, como “mamã” ou “água”.
- Por volta dos 18 meses: fala várias palavras, entende pedidos simples como “pega o sapato” e mostra partes do corpo quando alguém pergunta.
- Aos 2 anos: junta duas palavras por conta própria, como “qué água” ou “papai foi”, e o vocabulário cresce rápido.
- Aos 3 anos: forma frases curtas, conversa e é entendida pela maior parte das pessoas de fora da família.
Sinais de alerta
Alguns sinais são usados por pediatras e neurologistas como indicação de que a criança deve ser avaliada, sem esperar:
- Não balbucia até os 12 meses.
- Não aponta, não dá tchau e não usa outros gestos aos 12 meses.
- Não fala nenhuma palavra aos 16 meses.
- Não junta duas palavras espontâneas aos 24 meses, sem contar a simples repetição do que ouviu.
- Deixa de usar palavras que já falava, ou passa a buscar menos as pessoas do que antes, em qualquer idade.
Outros sinais também merecem atenção: não responder quando chamam, não entender pedidos simples, repetir frases de desenho sem usá-las para conversar, fala que quase ninguém entende depois dos 3 anos e gagueira que piora, vem com tensão no rosto ou faz a criança evitar falar.
Primeiro passo: checar a audição
Toda criança com atraso na fala precisa ter a audição avaliada. Parece óbvio, mas muitas famílias deixam de fazer porque o teste da orelhinha deu normal. Ele é feito ao nascer e não garante a audição para sempre. Otites de repetição, com secreção atrás do tímpano, podem diminuir a audição por semanas ou meses, justamente na fase em que a criança aprende a falar.
A avaliação auditiva é feita com otorrinolaringologista e fonoaudiólogo, com exames adequados para a idade.
Por que não vale esperar para ver
Os primeiros anos são a fase em que o cérebro está mais preparado para aprender a linguagem. Quando a família espera meses a mais por conta de um “ele vai falar na hora dele”, a criança passa esse tempo sem o estímulo dirigido de que talvez precise. Se no fim era só um ritmo mais lento, a avaliação não terá feito mal nenhum. Se havia outra causa, como uma perda auditiva ou o autismo, o tempo ganho faz diferença no apoio que a criança recebe.
Por que a fala atrasa
- Atraso simples de linguagem: a criança entende bem, se comunica com gestos e se desenvolve normalmente nas outras áreas, mas começa a falar mais tarde. Parte delas alcança as outras crianças, e só a avaliação e o acompanhamento mostram se é esse o caso.
- Perda auditiva, permanente ou temporária.
- Transtorno do espectro autista, em que a dificuldade principal está na comunicação e na interação.
- Atraso global do desenvolvimento, quando fala, coordenação e outras habilidades estão abaixo do esperado para a idade.
- Transtorno do desenvolvimento da linguagem, em que a dificuldade com a linguagem persiste sem outra causa que a explique.
- Apraxia de fala na infância, uma dificuldade de planejar os movimentos da boca e da língua para falar.
- Pouca conversa no dia a dia, muitas vezes ligada ao excesso de telas.
Quando o neuropediatra entra
Em muitos casos, o pediatra e o fonoaudiólogo conduzem bem a situação. O neuropediatra deve ser procurado quando o atraso na fala vem acompanhado de outros sinais, como:
- atraso para sentar, andar ou na coordenação dos movimentos;
- pouca interação, pouco contato visual ou brincadeiras muito repetitivas;
- perda de palavras ou de habilidades;
- crises convulsivas ou episódios de olhar parado;
- cabeça muito grande ou muito pequena para a idade;
- corpo muito mole ou fraqueza;
- pouca evolução apesar da terapia com fonoaudiólogo.
Na consulta, o neuropediatra levanta a história do desenvolvimento, faz o exame neurológico e avalia se o atraso na fala é isolado ou parte de um quadro maior. Quando há indicação, pede exames, como avaliação da audição, eletroencefalograma, exames de imagem ou genéticos. O trabalho costuma ser feito em conjunto com o fonoaudiólogo e, quando preciso, com o otorrino.
Para a consulta, ajuda levar a caderneta de saúde, o resultado do teste da orelhinha e de outros exames de audição, relatórios da escola ou do fonoaudiólogo e uma lista das palavras que a criança já usa. Vídeos curtos dela tentando se comunicar em casa também dão ao médico uma ideia mais fiel do dia a dia.
O que a família pode fazer em casa desde já
- Narre o dia: “agora vamos lavar a mão”, “olha o cachorro latindo”.
- Fale de frente, na altura dos olhos da criança, com frases curtas.
- Espere alguns segundos para ela tentar pedir, em vez de adivinhar tudo antes.
- Quando ela falar errado, repita a palavra certa com naturalidade, sem cobrar.
- Leia livros com figuras grandes e deixe a criança apontar.
- Cante músicas com gestos e repetição.
- Reduza o tempo de tela e troque por brincadeira com gente.
Essas atitudes ajudam, mas não substituem a avaliação quando há sinal de alerta.
Avaliação do atraso na fala em Brasília
Se o seu filho tem algum dos sinais descritos aqui, ou se a dúvida está tirando o seu sono, uma avaliação ajuda a entender o que está acontecendo. O Dr. Marcos Estrela (CRM 2910-DF, RQE 1904) atende em consultório particular no Centro Clínico Oswaldo Cruz, SHLS 716, Conjunto F, Sala 604, Asa Sul. Para conversar com o consultório, use o botão de WhatsApp da página.
Perguntas frequentes
Menino fala mais tarde mesmo?
Em média, meninos podem começar a falar um pouco depois das meninas, mas a diferença é pequena. Ser menino não justifica esperar quando há sinais de alerta.
Falar duas línguas em casa atrasa a fala?
Não. A criança pode misturar as línguas no começo, o que é esperado. Quando existe um atraso de verdade, ele aparece nas duas línguas e precisa ser avaliado.
Quem procuro primeiro: fonoaudiólogo ou neuropediatra?
O pediatra e o fonoaudiólogo costumam ser o primeiro passo, junto com a avaliação da audição. O neuropediatra entra quando o atraso vem com outros sinais ou quando a criança não evolui como o esperado.
Chupeta e mamadeira atrasam a fala?
O uso prolongado pode atrapalhar a pronúncia de alguns sons e a posição dos dentes. Mas raramente explica, sozinho, uma criança que fala pouco para a idade.
Atraso na fala é sempre autismo?
Não. A fala pode atrasar por muitos motivos, como problema de audição, atraso simples ou transtorno de linguagem. O autismo é uma das possibilidades que a avaliação considera.
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