Às vezes é a mãe que percebe primeiro: o filho não olha quando chamam pelo nome, não aponta para mostrar o avião, enfileira os carrinhos em vez de brincar de corrida. Às vezes é a creche que comenta. Em outras, é a avó, o pediatra ou um vídeo na internet que acende a dúvida. Logo depois vem a pergunta prática: quem avalia, e como?

Esse movimento de procurar ajuda ficou mais comum nos últimos anos, e isso é bom. Em vídeo, o Dr. Marcos Estrela lembrou como era antes:

“Muita gente não falava disso, sentia vergonha, igual epilepsia. Hoje não.”

Quando o assunto deixa de ser tabu, a família procura avaliação mais cedo, e a criança só tem a ganhar com isso.

Quem pode dar o diagnóstico de autismo

O diagnóstico do transtorno do espectro autista, o TEA, é clínico e médico. Em geral, quem fecha o diagnóstico é o neuropediatra, também chamado de neurologista infantil, ou o psiquiatra da infância e da adolescência. O pediatra tem papel importante no rastreio, porque acompanha a criança desde o início e costuma ser quem levanta a suspeita.

Outros profissionais contribuem muito. O fonoaudiólogo avalia a comunicação e a linguagem. O psicólogo pode avaliar comportamento e desenvolvimento com testes padronizados. O terapeuta ocupacional olha as questões sensoriais e motoras. O médico reúne essas informações com a história e o exame para chegar a uma conclusão.

Por isso, procurar um médico que diagnostica autismo em criança é o passo certo quando a dúvida persiste, mesmo que outros profissionais já tenham comentado a suspeita.

O que é o TEA, em palavras simples

O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento que aparece cedo na vida e afeta principalmente duas áreas, segundo os critérios do DSM-5. A primeira é a comunicação e a interação social: como a criança usa o olhar, os gestos e a fala para se conectar com as pessoas, e como entende o que os outros sentem e querem. A segunda são os padrões repetitivos e restritos: movimentos repetidos, apego forte a rotinas, interesses muito intensos e reações diferentes a sons, texturas, cheiros e luzes.

A palavra espectro indica que as crianças são muito diferentes entre si. Algumas falam bem e têm uma dificuldade sutil para entender as regras sociais. Outras não falam e precisam de apoio em quase tudo. Por isso o diagnóstico também descreve o nível de suporte de que a criança precisa, que pode mudar com o tempo.

Sinais que levam a família a procurar avaliação

Nenhum sinal isolado fecha diagnóstico. O que pesa é o conjunto e a persistência. Entre os sinais mais lembrados pelos médicos estão:

  • Pouco contato visual, ou um olhar que não se sustenta durante a interação.
  • Não responder ao próprio nome, embora escute outros sons.
  • Não apontar para mostrar algo interessante nem trazer objetos para mostrar aos pais.
  • Pouco interesse em brincar com outras crianças ou em brincadeiras de faz de conta.
  • Usar a mão do adulto como ferramenta para pegar o que quer.
  • Repetir falas de desenho fora do contexto.
  • Brincar sempre do mesmo jeito: enfileirar, girar, abrir e fechar portas.
  • Movimentos repetidos, como balançar o corpo ou agitar as mãos quando fica animado.
  • Muito incômodo com barulho, etiqueta de roupa, corte de cabelo ou certas comidas.
  • Crises intensas quando a rotina muda.
  • Perda de palavras ou de habilidades sociais que já tinha, em qualquer idade.

Um ponto que confunde muitas famílias: criança carinhosa, que abraça e olha nos olhos, também pode estar no espectro. Afeto e contato visual não excluem o diagnóstico.

Rastreio não é diagnóstico

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que o pediatra aplique um questionário de rastreio para autismo, o M-CHAT, entre os 18 e os 24 meses. A Academia Americana de Pediatria tem orientação parecida, com rastreio aos 18 e aos 24 meses. São perguntas simples para os pais, que ajudam a separar as crianças que precisam de uma avaliação mais detalhada.

Um resultado alterado no questionário não significa autismo. Significa que vale aprofundar. Do mesmo modo, um resultado normal não encerra a questão se a família ou a escola continuam percebendo diferenças.

Como é a avaliação

A consulta começa por uma história bem detalhada. O médico pergunta sobre a gestação, o parto, os primeiros meses e a idade em que vieram o sorriso, o balbucio, as primeiras palavras e os primeiros passos. Quer saber quando a família notou as primeiras diferenças, se houve perda de habilidades, como a criança brinca em casa, como se comporta na escola, como dorme e como come. Pergunta também sobre casos parecidos na família.

Em seguida vem o exame físico e neurológico, com atenção ao tamanho da cabeça, à pele, ao tônus, à coordenação e à forma como a criança se comunica e se relaciona durante o atendimento. Vídeos feitos em casa ajudam muito, porque mostram a criança no ambiente dela, sem o estranhamento do consultório.

Para aproveitar melhor o encontro, vale levar a caderneta de saúde, relatórios da creche ou da escola, avaliações de fonoaudiólogo ou psicólogo já feitas e exemplos concretos do que preocupa, como as situações em que a criança não responde ao chamado ou o jeito como reage quando a rotina muda. Anotar a idade aproximada em que cada habilidade apareceu também ajuda, porque nem sempre a família consegue lembrar na hora.

Não existe exame de sangue ou de imagem que mostre autismo. Os exames servem para investigar condições que podem se parecer com o TEA ou vir junto com ele. A avaliação da audição, por exemplo, é indispensável quando a fala está atrasada. Conforme o caso, o médico pode pedir eletroencefalograma, exames genéticos ou outros, sempre com um motivo claro.

Autismo e TDAH podem andar juntos

Muitas famílias chegam confusas porque já ouviram as duas siglas. São condições diferentes, com critérios próprios. Desde a quinta edição do DSM, porém, é possível ter os dois diagnósticos na mesma criança. Quando isso acontece, o plano de cuidado precisa considerar as duas coisas ao mesmo tempo.

Depois do diagnóstico

O diagnóstico abre caminho para o cuidado. As intervenções recomendadas para o autismo são terapias que trabalham comunicação, interação, autonomia e comportamento, com participação ativa da família. Na prática, isso costuma envolver fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia com abordagens comportamentais, além de orientação aos pais e adaptações na escola.

Não existe remédio para o autismo em si. Quando indicado, pode haver medicação para sintomas que atrapalham muito a vida da criança, como irritabilidade intensa, agressividade ou dificuldade importante para dormir, sempre com acompanhamento médico. A necessidade de relatório para a escola ou para as terapias é conversada na consulta, depois da avaliação.

Enquanto espera a avaliação

A família não precisa ficar parada esperando um papel. Algumas atitudes ajudam qualquer criança e fazem ainda mais diferença para quem tem sinais de autismo:

  • Brincar no chão, na altura da criança, seguindo o interesse dela.
  • Dar nome ao que ela está vendo e fazendo, com frases curtas.
  • Esperar alguns segundos antes de atender um pedido, dando chance para ela tentar se comunicar.
  • Diminuir o tempo de tela e trocar por interação com pessoas.
  • Se houver atraso de fala, procurar a fonoaudiologia, que pode começar antes da conclusão médica.

Avaliação de autismo infantil em Brasília

O Dr. Marcos Estrela é neurologista infantil, com CRM 2910-DF e registro de qualificação em Neurologia Pediátrica (RQE 1904). Atende no Centro Clínico Oswaldo Cruz, SHLS 716, Conjunto F, Sala 604, Asa Sul, Brasília. O atendimento é particular e não inclui convênio. Se a dúvida sobre o desenvolvimento do seu filho continua, fale com o consultório pelo WhatsApp, no botão desta página, para combinar a avaliação.