Quando a mãe digita no celular “neuropediatra particular perto de mim” ou procura um neuropediatra em Brasília, quase sempre existe uma dúvida concreta por trás da busca. A professora comentou que a criança não para na cadeira. O bebê de um ano ainda não fala nenhuma palavra. O filho teve uma convulsão com febre e o susto não passou. Ou a dor de cabeça do adolescente começou a aparecer toda semana.

Nem toda preocupação precisa de neuropediatra. Muitas se resolvem com o próprio pediatra, e outras pedem um olhar dedicado ao cérebro e ao desenvolvimento. Saber separar uma coisa da outra poupa tempo e angústia para a família.

O que faz o neuropediatra

O neuropediatra, também chamado de neurologista infantil, é o médico que cuida do sistema nervoso da criança e do adolescente: cérebro, medula, nervos e músculos. No dia a dia do consultório, isso vai além das doenças neurológicas clássicas. Boa parte das consultas envolve o desenvolvimento, ou seja, o jeito como a criança aprende a sentar, andar, falar, se relacionar e aprender na escola.

Entre as situações que mais chegam ao neuropediatra estão:

  • atraso para sentar, andar ou falar;
  • suspeita de transtorno do espectro autista, o TEA;
  • suspeita de TDAH, com desatenção, agitação ou impulsividade que atrapalham a vida da criança;
  • convulsões, com ou sem febre, e epilepsia;
  • dor de cabeça frequente ou muito forte;
  • tiques e movimentos que a família não sabe explicar;
  • dificuldade de aprendizagem que não melhora com o apoio da escola;
  • desmaios, perda de força, quedas frequentes ou um jeito diferente de andar;
  • cabeça que cresce mais ou menos do que o esperado nas consultas de rotina.

Pediatra e neuropediatra: qual a diferença

O pediatra acompanha a criança como um todo. Cuida das vacinas, do crescimento, da alimentação, das infecções e confere os marcos do desenvolvimento em cada consulta de rotina. É ele quem conhece a criança desde cedo e, muitas vezes, quem percebe primeiro que alguma coisa merece um olhar mais de perto.

O neuropediatra entra quando a dúvida é sobre o funcionamento do sistema nervoso. Ele faz um exame neurológico detalhado, interpreta exames como o eletroencefalograma e a ressonância, e conduz o diagnóstico e o acompanhamento de condições como epilepsia, TDAH e TEA. Um não substitui o outro. O pediatra continua sendo o médico de referência da criança, e os dois trabalham melhor quando conversam entre si.

Quando procurar um neuropediatra: sinais em cada fase

Cada criança tem o seu ritmo, e uma diferença pequena em relação ao irmão ou ao primo não é motivo de alarme. O que pede avaliação é um sinal que persiste, que se soma a outros ou que representa a perda de algo que a criança já sabia fazer.

No bebê

  • Por volta dos 4 meses, ainda não firma a cabeça.
  • Não sorri de volta, olha pouco para o rosto das pessoas ou não reage a sons.
  • Corpo muito mole, como um paninho, ou muito duro, com dificuldade para abrir as mãos e as pernas.
  • Por volta dos 9 meses, ainda não senta sem apoio.
  • Usa sempre um lado do corpo e quase não usa o outro.
  • Movimentos repetidos e estranhos, como sustos em sequência, olhos que reviram ou o corpo que “trava” por alguns segundos.
  • Medida da cabeça fora da curva esperada na caderneta de saúde.

Na fase pré-escolar

  • Não anda sozinha aos 18 meses.
  • Fala muito pouco para a idade, não junta duas palavras aos 2 anos ou fala de um jeito que quase ninguém entende aos 3.
  • Não aponta, não atende pelo nome, prefere brincar sozinha de forma repetida, como enfileirar objetos ou girar rodinhas.
  • Perde palavras ou habilidades que já tinha.
  • Cai muito, tropeça mais que as outras crianças, tem dificuldade para subir escada ou correr.
  • Teve convulsão com febre. Esse tipo de crise é comum entre os 6 meses e os 5 anos e, na maioria das vezes, não deixa sequelas, mas merece conversa com o médico, principalmente se foi longa, se repetiu no mesmo dia ou pegou só um lado do corpo.

Na idade escolar

  • A escola relata desatenção, agitação ou impulsividade que atrapalham o aprendizado e a convivência.
  • Dificuldade persistente para ler, escrever ou fazer contas, mesmo com reforço.
  • Momentos de “desligar”: a criança para, fica com o olhar fixo por alguns segundos e volta como se nada tivesse acontecido. Pode ser uma crise de ausência, um tipo de epilepsia que é fácil confundir com distração.
  • Tiques que se repetem, como piscar forte, fungar, pigarrear ou levantar os ombros.
  • Dor de cabeça que aparece com frequência, acorda a criança ou vem com vômitos.

Na adolescência

  • Enxaqueca ou dor de cabeça que faz perder aula.
  • Desmaios, crises ou episódios de confusão.
  • Queda no rendimento escolar que não se explica por mudança de escola, problema em casa ou tristeza.
  • Desatenção antiga, nunca avaliada, que pesa mais agora, com mais matérias e mais cobrança.
  • Tremores, tiques ou alterações de sono que preocupam a família.

Quando o caso é de pronto-socorro

Alguns sinais pedem atendimento no mesmo dia, em pronto-socorro, e não em consultório. Convulsão que dura mais de cinco minutos, ou depois da qual a criança não volta ao normal. Perda súbita de força em um lado do corpo, dificuldade repentina para falar ou boca que entorta. Dor de cabeça muito forte e de início súbito, ou acompanhada de vômitos, febre e rigidez na nuca. Sonolência fora do comum ou vômitos depois de uma pancada na cabeça. Nessas situações, a consulta com o neuropediatra vem depois, para o acompanhamento.

O que o neuropediatra avalia

A avaliação neurológica da criança começa pela história. O médico quer saber como foram a gestação e o parto, se houve internação ao nascer, em que idade a criança sentou, andou e falou, como dorme, como se alimenta, como vai na escola e se há casos parecidos na família. Detalhes que parecem pequenos, como a idade do primeiro passo, ajudam a montar o quadro.

Depois vem o exame. O exame neurológico infantil inclui medir a cabeça, observar o tônus e a força dos músculos, testar os reflexos, a coordenação, o equilíbrio e o jeito de andar, além de olhar os movimentos dos olhos e do rosto. O médico também presta atenção em como a criança se comunica e reage durante o atendimento.

Exames complementares não são automáticos. Eles entram quando a história e o exame mostram que há algo a investigar. O Dr. Marcos Estrela conta que pede exames específicos “para afastar outras” condições, ou seja, para ter segurança de que o quadro não tem outra causa por trás. Conforme o caso, podem ser eletroencefalograma, ressonância do crânio, exames de sangue, avaliação da audição ou da visão e, em algumas situações, exames genéticos.

Como é a primeira consulta

A primeira consulta é, antes de tudo, uma conversa. Os pais contam o que os preocupa, desde quando, em que situações aparece e o que já foi tentado. A criança fica junto, e o médico alterna a conversa com os pais e a atenção a ela.

Em algumas queixas, parte da investigação começa antes de a família entrar no consultório. Na suspeita de TDAH, por exemplo, a mãe recebe antes um formulário sobre atenção, impulsividade e hiperatividade, o que ajuda a organizar as informações que serão discutidas.

Ao final, o médico explica o que encontrou e o que ainda precisa ser esclarecido. Às vezes o diagnóstico já fica claro no primeiro encontro. Em outras, é preciso esperar exames, ouvir a escola ou acompanhar a criança por um tempo. Também se conversa sobre os próximos passos, que podem incluir terapias como fonoaudiologia, psicologia ou terapia ocupacional. A necessidade de relatório para a escola ou para as terapias é conversada na consulta, depois da avaliação.

Dúvida que não foi perguntada costuma voltar no caminho de casa. Por isso, vale anotar as perguntas antes e levar o papel.

O que levar na primeira consulta

  • Caderneta de saúde da criança, com as curvas de crescimento e a medida da cabeça.
  • Exames já feitos, com os laudos e, se houver, as imagens ou o CD da ressonância ou da tomografia.
  • Relatórios da escola e dos profissionais que já atendem a criança, como fonoaudiólogo, psicólogo ou terapeuta ocupacional.
  • Lista dos remédios em uso, com nome e dose.
  • Vídeos curtos do que preocupa: uma crise, um movimento estranho, um tique, o jeito de brincar em casa. Um vídeo de trinta segundos às vezes mostra mais do que uma longa descrição.
  • Anotações com datas: quando as crises aconteceram, quanto duraram, o que a criança estava fazendo.
  • Cadernos e provas, quando a queixa é escolar.
  • Encaminhamento do pediatra, se houver.
  • Um lanche e um brinquedo de que a criança goste, para a espera ficar mais tranquila.

Como preparar a criança

Criança pequena se sai melhor quando sabe o que vai acontecer. Vale explicar com palavras simples que ela vai conversar com um médico que cuida de como ela cresce, fala e aprende, e que ele pode pedir para ela andar, apertar a mão dele ou seguir o dedo com os olhos. Evite usar a consulta como ameaça. Com o adolescente, o caminho é incluir: perguntar o que ele quer contar ao médico e deixar espaço para ele falar por conta própria.

Consulta com neuropediatra em Brasília

O Dr. Marcos Estrela (Marcos Anhanguera Estrela, CRM 2910-DF) é neurologista com área de atuação em neurologia pediátrica, com registro de qualificação em Neurologia Pediátrica (RQE 1904) e em Neurologia (RQE 1903). Formou-se em Medicina pela Universidade Federal Fluminense em 1974 e está inscrito no CRM do Distrito Federal desde 1978.

O consultório fica no Centro Clínico Oswaldo Cruz, SHLS 716, Conjunto F, Sala 604, Asa Sul. O atendimento é particular, sem convênio. Para marcar ou tirar dúvidas, fale com o consultório pelo botão de WhatsApp desta página. Pergunte pelo WhatsApp se a consulta pode ser por telemedicina.