O bilhete chega na agenda, ou a coordenadora pede uma reunião. A professora conta que a criança não termina as atividades, levanta toda hora, interrompe os colegas, esquece o material. Às vezes a palavra TDAH já aparece na conversa. A mãe sai da escola com um nó no estômago e muitas perguntas.

A primeira coisa a saber é que a observação da escola tem valor, mas não é diagnóstico. A segunda é que existe um caminho claro para esclarecer a dúvida, sem pressa para rotular e sem empurrar o problema para frente. É nessa hora que muitas famílias procuram um neuropediatra em Brasília para investigar o TDAH com calma.

O que a escola enxerga e o que fica de fora

A professora vê a criança várias horas por dia, em grupo, ao lado de outras da mesma idade. Isso dá a ela uma régua que os pais nem sempre têm: ela percebe quando um aluno se distrai muito mais que os colegas ou precisa de muito mais lembretes para fazer a mesma tarefa.

O que a escola não vê é o resto da vida da criança. Não sabe como ela dorme, se ronca, se passou por uma mudança em casa, se enxerga bem o quadro, se anda triste ou ansiosa, se sempre foi assim ou se mudou de uns meses para cá. Por isso o relato escolar é uma peça importante, mas é só uma das peças.

O que é TDAH

O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade é um transtorno do neurodesenvolvimento. Em palavras simples, o cérebro da criança tem mais dificuldade para regular a atenção, frear o impulso e controlar o nível de atividade. Costuma haver outros casos na família, porque a herança genética tem peso grande.

Os sinais se organizam em três grupos: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Algumas crianças têm sobretudo desatenção e, por serem quietas, passam anos sem que ninguém perceba. Outras são mais agitadas e impulsivas. Muitas têm um pouco de cada.

Também é comum a família confundir TDAH com autismo, porque as duas palavras costumam aparecer juntas nas conversas de escola. Em vídeo, o Dr. Marcos Estrela foi direto:

“TDAH é diferente de TEA, que é transtorno do espectro autista.”

As duas condições podem até existir na mesma criança, mas são avaliadas de forma diferente e pedem cuidados diferentes.

Sinais que costumam aparecer em casa e na sala de aula

Desatenção

  • Começa a tarefa e não termina, principalmente quando ela exige esforço mental.
  • Comete erros por descuido, pula questões, não lê o enunciado até o fim.
  • Parece não ouvir quando alguém fala diretamente com ela.
  • Perde lápis, casaco, garrafinha, o bilhete da escola.
  • Se distrai com qualquer barulho ou movimento ao redor.

Hiperatividade e impulsividade

  • Mexe as mãos e os pés o tempo todo, se levanta quando deveria ficar sentada.
  • Fala muito e responde antes de a pergunta terminar.
  • Tem muita dificuldade para esperar a vez na fila ou no jogo.
  • Age sem pensar no risco: sobe em lugares altos, atravessa sem olhar.
  • Interrompe conversas e brincadeiras dos outros.

Qualquer criança faz algumas dessas coisas de vez em quando, sobretudo as menores. O que chama a atenção é a intensidade, a frequência e o prejuízo que isso causa no aprendizado, nas amizades e na rotina da família.

Nem toda desatenção é TDAH

Antes de falar em TDAH, o médico precisa pensar em outras explicações para o que a escola descreve. Algumas das mais comuns:

  • Sono ruim ou curto, incluindo ronco e pausas na respiração durante a noite.
  • Dificuldade para enxergar o quadro ou para ouvir bem.
  • Ansiedade, tristeza, luto, separação dos pais, chegada de um irmão.
  • Dificuldade específica de aprendizagem, como a dislexia, em que a criança se desliga porque ler custa muito esforço.
  • Crises de ausência, em que a criança “some” por alguns segundos, várias vezes ao dia, sem perceber.
  • Muitas horas de tela, principalmente à noite.
  • Ser o mais novo da turma, com uma maturidade ainda abaixo da dos colegas.

Não existe exame de sangue ou de imagem que confirme TDAH. Quando a história levanta suspeitas, o médico pode pedir exames para excluir essas outras causas, como um problema de audição, de visão ou uma epilepsia que se disfarça de distração.

Como é a avaliação do TDAH

O diagnóstico de TDAH é clínico. Ele se apoia no que a família conta, no que a escola relata e na avaliação médica. Os critérios usados no mundo todo, descritos no DSM-5, pedem alguns cuidados: os sinais precisam estar presentes há pelo menos seis meses, aparecer em mais de um ambiente, como em casa e na escola, ter começado antes dos 12 anos e atrapalhar de verdade a vida da criança.

Para organizar essas informações, entram os questionários. O Dr. Marcos Estrela explicou como funciona no consultório dele:

“Antes que a criança chegue aqui, tem um formulário para a mãe responder sobre atenção, impulsividade e hiperatividade.”

Em muitas avaliações de TDAH, a escola também responde a um questionário parecido, o que permite comparar a criança nos dois ambientes. Na consulta, o médico revê as respostas com a família, faz a história completa, examina a criança e procura condições que costumam vir junto, como ansiedade, dificuldade de aprendizagem ou alterações do sono.

Nem sempre tudo se resolve em um encontro. Às vezes é preciso mais informação da escola, um exame ou um tempo de observação antes de fechar a conclusão.

Como conversar com a escola durante a investigação

A relação com a escola faz diferença durante toda a investigação. Vale pedir uma conversa com a professora para entender em que momentos a criança mais se perde: na cópia do quadro, no recreio, nas atividades em grupo, depois do lanche. Pergunte também o que já foi tentado em sala e o que funcionou, mesmo que pouco. Essas informações ajudam o médico a enxergar o padrão. E deixe claro para a escola que a família está buscando avaliação, o que costuma abrir espaço para pequenas adaptações enquanto a resposta não vem.

Se o diagnóstico se confirmar

O cuidado com o TDAH acontece em várias frentes, e a medicação, quando entra, é só uma delas. O plano costuma incluir:

  • Orientação para os pais, com rotina previsível, combinados curtos e claros e reconhecimento do que a criança faz bem.
  • Parceria com a escola: sentar perto da professora e longe da janela, receber as tarefas em partes, ter tempo extra ou provas adaptadas quando necessário.
  • Psicoterapia, em especial abordagens que treinam organização, controle do impulso e manejo da frustração.
  • Apoio psicopedagógico quando há dificuldade de aprendizagem junto.
  • Atenção ao sono, à atividade física e ao tempo de tela.

Quando indicado, pode haver medicação, sempre com acompanhamento médico, ajuste cuidadoso e reavaliações periódicas. A decisão é tomada junto com a família, depois de entender o quadro completo.

O que fazer enquanto a consulta não chega

  • Peça à escola um relatório por escrito, com exemplos concretos do que acontece em sala.
  • Anote situações de casa: hora da lição, festas, filas, viagens de carro.
  • Observe o sono: horário de dormir, se ronca, se acorda cansada.
  • Separe cadernos e provas recentes para levar.
  • Evite falar de TDAH na frente da criança como se já fosse certeza. Rótulo pesa.

Avaliação de TDAH com neuropediatra em Brasília

Quando a escola aponta e a dúvida fica, a avaliação feita com calma é o próximo passo. O Dr. Marcos Estrela, neuropediatra (CRM 2910-DF, RQE 1904), atende no Centro Clínico Oswaldo Cruz, SHLS 716, Conjunto F, Sala 604, na Asa Sul, em atendimento particular. A necessidade de relatório para a escola ou para as terapias é conversada na consulta, depois da avaliação. Para agendar, chame o consultório no WhatsApp pelo botão da página.